O Barco do Bicudo
Por José Bernardo
O barco do Bicudo tem um motor possante mas a aparência é assustadora. Haja visto que não dá ré. Naquele dia, era o barco da vez e se queríamos chegar no paraíso, não tínhamos outra alternativa. O barco tinha um teto onde estávamos todos cantando felizes da vida. Ainda longe, vi um imenso cargueiro que parecia parado enquanto o nosso barco, pelo rumo que tomava, iria passar pela frente dele. Quando já estávamos próximos, percebi que o navio não estava parado e numa mistura de geometria e física precisei que estávamos em rota de colisão.
Gritei ao Bicudo: - “Oh maluco!!! Tá vendo o navio?”
Imediatamente o barco começou a fazer uma curva para a esquerda e por pouco não tirou tinta do casco daquele monstro. Estranhamente, o comandante e a tripulação pareceram não perceber a situação, pois uma imensa âncora começou a despencar presa a uma corrente, que bastava um elo para nos pôr a pique, fazendo um barulho ensurdecedor. Ao cair na água, fez uma onda que de certa forma nos ajudou a manter distância.
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