Estranha no Ninho
Por José Bernardo
Eu cheguei no Caxadaço exausto depois de ter ficado horas perdido entre os inúmeros atalhos na trilha de Santo Antônio. Por segurança, decidi bivacar na paradisíaca piscina e esperar o novo dia. Acendi meu fogareiro a base de álcool gel e preparei um copo de sopa instantânea para recarregar as energias. A noite caiu enquanto milhares de vaga-lumes com olhos acesos vagavam por todos os lados.
No meio de um belo sonho, no aconchego de meu saco de dormir, acordei e senti que algo gelado deslizava sobre meus pés. Imediatamente percebi o que poderia ser e o pânico me fez tomar a atitude certa: Ficar imóvel como uma estátua. Devo ter ficado horas assim, até que num movimento involuntário, encolhi minhas pernas deixando no fundo do saco o inoportuno visitante. Milímetro a milímetro fui deslizando para fora do saco de dormir e quando já estava mais da metade para fora, saí de uma única vez e sem me aperceber da existência de um barranco, desabei por ele indo terminar na areia da praia, onde permaneci até o dia começar a clarear.
Me aproximei do saco de dormir e notei que dentro dele havia algo ainda desconhecido. Peguei o fundo do saco e fui levantando para que o que estivesse dentro fosse deslizando para fora. Não deu outra, uma robusta jararacuçu ainda preguiçosa, saiu lentamente em direção ao mato. Nunca mais consegui dormi com o zíper do saco de dormir aberto.
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